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sábado, 22 de março de 2008

Vertigem (2007/2008)

Vertigem é um espectáculo que cruza as linguagens do teatro, da performance e do vídeo, resultante de um processo contínuo de criação que teve a sua primeira fase em Março e Abril de 2007, culminando numa apresentação pública a 21 de Abril, no Centro Cultural de Alfena (Valongo). Posteriormente realizou-se uma segunda fase de criação, entre Novembro de 2007 e Janeiro de 2008, que estreou a 9 de Janeiro de 2008, no Teatro Carlos Alberto, inserida no festival 30 por Noite, organizada pelo Teatro Nacional São João.


Sinopse

Sonho, medo, tentação súbita, acto impetuoso e irreflectido, desejo obscuro: a face oculta de um icebergue manifesta-se nas acções mais banais e quotidianas. A esta experiência está associada uma vertigem, uma tontura face a algo inexplicável e desconhecido. É sob este signo vertiginoso que três personagens são colocadas num tempo e num espaço cujas coordenadas lhes são desconhecidas. Reféns de uma ficção, habitam um tempo indefinido, que se submerge em analepses e prolepses, e um espaço hermeticamente fechado, mas vigiado. A acção reside precisamente no desejo de descobrir e compreender este novo espaço-tempo.

Direcção e Dramaturgia: José Nunes Assistência de Direcção: Luís Miguel Félix Vídeo: Telmo Sá Interpretação: Joana Luz Figueira, Margarida Vasconcelos*, Rui Lima e Tânia Dinis Cenografia: Ricardo Preto Figurinos: Inês Mariana Moitas Cabelos: Carlos Almeida (Anjos Urbanos) Maquilhagem: Ana Novais Design de Luz: Cláudia Valente Apoio Técnico: Jorge Quintela Música: Rui Lima e Sérgio Martins Fotografia e Design: Ana Lúcia Cruz Produção Executiva: Pedro Leitão

Classificação Etária: Maiores de 16

Duração Aproximada: 60 minutos

Estreia (1ª Fase de Criação): 21de Abril de 2007 – Centro Cultural de Alfena

Estreia (2ª Fase de Criação): 9 de Janeiro de 2008 – Teatro Carlos Alberto

*Interpretação na 1ª Fase de criação, substituída por Joana Luz Figueira na 2ª Fase

Fotografias de Cena








Fotografias de Ana Lúcia Cruz

Vertigem - Fotografias de Cena






Fotografias de Ana Lúcia Cruz

Vertigem - Fotografias de Cena







Fotografias de Ana Lúcia Cruz
A vertigem do Teatro


Uma cena pode ter múltiplos subtextos. Por isso mesmo, não existe uma metáfora para a encenação deste espectáculo, mas antes uma multiplicidade de metáforas e possibilidades de leitura, que visam levar ao extremo dois pressupostos simples e concretos: a possibilidade da criação de uma ficção, um "fingimento" que a imagem bidimensional da tela propicia, e, por oposição, a criação de uma verdade tridimensional, assente na realidade de uma situação de presença espaço-tempo, que o teatro permite. Trata-se pois, para nós, de uma vertigem. Uma vertigem simbólica e figurativa que pode ter múltiplas leituras e interpretações e não é nossa intenção reduzir a amplitude de leituras possíveis do espectáculo, ainda assim, assolados por essa vertigem, perguntamo-nos: porque temos a necessidade de criar ficções? Porquê essa necessidade de criar mundos imaginários mais perfeitos que o mundo real? Terá o artista que colocar esta obrigatoriedade no seu exercício de funções? Terão os fazedores de Teatro que submergir o espectador em mundos inalcançáveis ou inatingíveis, onde tudo pode ser perfeito e possível?

Fotografias de Ana Lúcia Cruz



Atravessar o espelho

Fotografia de "Vertigem" - Ana Lúcia Cruz

“ Toda a gente diz: um romance é um espelho. Mas o que é ler um romance? Creio que é atravessar o espelho. Subitamente, encontramo-nos no lado de lá, no meio de pessoas e objectos que parecem familiares. Mas só aparentemente, pois na realidade nunca os tínhamos visto antes. E as coisas do nosso mundo, por sua vez, ficam do lado de fora e convertem-se em reflexos. Fechando o livro, transpõe-se rapidamente o espelho, torna-se a entrar neste honrado mundo e a reencontrar as casas, os jardins e as pessoas que não têm nada para nos dizer; o espelho que se formou de novo atrás de nós reflecte-as tranquilamente. Depois disto, é-se tentado a jurar que a arte é um reflexo; os mais argutos chegarão a falar de vidros deformadores.”

Jean-Paul Sartre, Situações I

quarta-feira, 19 de março de 2008

Fotos de Ensaios - Vertigem (2008)






Fotografias de Ana Lúcia Cruz

terça-feira, 18 de março de 2008

Vertigem: um processo contínuo de criação

Vertigem é um espectáculo que cruza as linguagens do teatro e do vídeo, resultante de um processo contínuo de criação que teve a sua primeira fase em Março e Abril de 2007, culminando numa apresentação pública a 21 de Abril, no Centro Cultural de Alfena (Valongo). O espectáculo que agora se apresenta resulta de uma nova fase de criação, durante a qual se aprofundaram conteúdos e formas.

Durante o processo da primeira fase de criação de Vertigem, devido à proximidade entre os vários elementos da equipa, surgiu o desejo de criar uma linguagem pluridisciplinar, onde as fronteiras entre as diversas áreas se tornassem muito ténues, quase invisíveis, e onde o universo plástico adquirisse uma relevância e um carácter dramatúrgico muito fortes, chegando mesmo a constituir-se como uma personagem comunicante.

Na génese de Vertigem estão vários pressupostos: a definição da temática, através do conceito figurativo do termo vertigem e do seu relacionamento com outros três motes – sonho, medo, desejo; a definição conceptual de três personagens – Doutor, Agnes e Mulher Digital; a criação de um dispositivo cénico que permite a manipulação e o jogo entre ficção e realidade; o recurso a materiais textuais e imagéticos, como, por exemplo, O Sonho e Inferno de August Strindberg.

O resultado é consequência de um trabalho em conjunto de co-criação, em que se quebram hierarquias teatrais e onde se parte do levantamento de materiais diversos para realizar uma posterior escrita dramática e coreográfica.

Fotos de Ensaios - Vertigem (2008)







Fotografias de Ana Lúcia Cruz

Fotos Vertigem (2007)



Fotos Vertigem (2007)